Conferência Estadual de Cultura
O reinicio
Os atuais Agentes de Cultura da Casa e a Coordenadora de Cultura do Ponto.
Oficina paraProjetos Culturais
Aconteceu dia 31/10/2011, a primeira oficina para elaboração de Projetos Culturais ministrada pelo BNB em parceria com o BNDES e superlotou o auditório da Casa de Cultura.Compareceu um número bem maior que o esperado pois marcaram presença representantes dos diversos setores da cultura de toda a .região Agreste e Litoral Sul do Estado.
Ao término da oficina, houve a apresentação do cordelista "Xexéu"(João Gomes Sobrinho) que emocionou a plateia ao recitar o poema de sua autoria "O apelo do Concriz"
Atividades Iniciadas
O que é um Ponto de Cultura?

“Os Pontos de Cultura são espaços permanentes de experimentação, encanto, transformação e magia.” Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República.
São entidades reconhecidas e apoiadas financeira e institucionalmente pelo Ministro da Cultura que desenvolvem ações de impacto sócio-cultural em suas comunidades.
O Ponto de Cultura não tem um modelo único, nem de instalações físicas, nem de programação ou atividade. Um aspecto comum a todos é a transversalidade da cultura e a gestão compartilhada entre poder público e comunidade. Pode ser instalado em uma casa ou em um grande centro cultural. A partir deste ponto desencadei-se um processo orgânico agregando-se novos agentes e parceiros e identificando novos pontos de apoio; a escola mais próxima, o salão da igreja, a sede da sociedade dos amigos do bairro ou mesmo a garagem de algum voluntário.
Potencializam iniciativas e projetos culturais já desenvolvidos por comunidades, grupos e redes de colaboração, através de convênios estabelecidos com entes federativos. Fomentam a atividade cultural, aumentam a visibilidade das mais diversas iniciativas culturais e promovem o intercâmbio entre diferentes segmentos da sociedade.
O Ponto de Cultura é a ação prioritária e o ponto de articulações das demais atividades do Programa Cultura Viva.
“O Ponto de Cultura e “uma espécie de ‘do-in’ antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados o adormecidos, do corpo cultural do País” Gilberto Gil, Ex-ministro da Cultura.
São entidades reconhecidas e apoiadas financeira e institucionalmente pelo Ministro da Cultura que desenvolvem ações de impacto sociocultural em suas comunidades. Somam, até abril de 2010, 2,5mil em 1122 cidades brasileiras, atuando em redes sociais, estéticas e políticas
Os Pontos de Cultura são a expressão mais visivel do avanço das políticas culturais do Brasil nos últimos 8 anos, onde as políticas públicas e dedicaram ao reconhecimento e valorização da dimensão da diversidade cultural do povo brasileiro, democratizando as ferramentas de produção, expressão e comunicação, padrões tecnológicos livres, criação de ambientes reais e virtuais de articulação em rede,promovendo a autonomia e o protagonismo social através da cultura.
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O que é o Programa CULTURA VIVA

UMA GESTÃO EM REDE, COMPARTILHADA E TRANSFORMADORA
| O Cultura Viva é concebido como uma rede orgânica de criação e gestão cultural, medido pelos Pontos de Cultura, sua principal ação. A implantação do programa prevê um processo contínuo e dinâmico, e seu desenvolvimento é semelhante ao de um organismo vivo, que se articula com atores pré-existentes. Em lugar de determinar (ou impor) ações e condutas locais, o programa estimula criatividade, potencializa desejos e cria um ambiente propício ao resgate da cidadania pelo reconhecimento da importância da cultura produzida em cada localidade. O efeito desejado é o envolvimento intelectual e afetivo da comunidade, criando uma mágica motivadora na qual os cidadãos se sentem cada vez mais estimulados a criar e participar. O programa incentiva o processo de reinterpretação cultural e estimula a aproximação entre diferentes formas de representação artística e visões de mundo. “Aqui se faz cultura” pode ser um dos lemas dos Pontos de Cultura, que, ao serem reconhecidos com sujeitos, também reconhecem os outros, intensificando a troca entre si. O papel do Ministério da Cultura é agregar recursos e novas capacidades a projetos e instalações já existentes, oferecendo equipamentos que amplifiquem as possibilidades do fazer artístico e recursos para uma ação contínua junto às comunidades. São objetivos do Cultura Viva: • Ampliar e garantir o acesso aos meios de fruição, produção e difusão cultural; • Identificar parceiros e promover pactos com diversos atores sociais governamentais e não governamentais nacionais e estrangeiros, visando a um desenvolvimento humano sustentável, tendo na cultura “a principal forma de construção e expressão da identidade nacional, a forma como o povo se reinventa e pensa criticamente”; • Incorporar referências simbólicas e linguagens artísticas no processo de construção da cidadania, ampliando a capacidade de apropriação criativa do patrimônio cultural pelas comunidades e pela sociedade brasileira como um todo; • Potencializar energias sociais e culturais, dando vazão à dinâmica própria das comunidades e entrelaçando ações e suportes dirigidos ao desenvolvimento de uma cultura cooperativa, solidária e transformadora; • Fomentar uma rede horizontal de “transformação, de invenção, de fazer e refazer, no sentido da geração de uma teia de significações que envolvem a todos”; • Estimular a exploração, o uso e a apropriação dos códigos de diferentes meios, linguagens artísticas e lúdicas, nos processos educacionais bem como a utilização de museus, centros culturais e espaços públicos em diferentes situações de aprendizagem, e o desenvolvimento de uma reflexão crítica sobre a realidade na qual os cidadãos se inserem; • Promover a cultura enquanto expressão e representação simbólica, direito e economia.Conheça o Programa Cultura Viva, acesse o site: www.cultura.gov.br |
NORDESTINO É "O CÃO CHUPANDO MANGA"!

Depois da guerra, depois das mortes, depois do massacre, ou seja, depois de tudo, veio o doutor Euclides e cunhou a célebre frase “O sertanejo é antes de tudo um forte”. Oxente, seu doutor, não precisava tanto, bastava dizer que o sertanejo, antes de mais nada, é o cão chupando manga.
Seu Euclides, embora fosse crânio dos crânios – até porque era sociólogo, escritor, jornalista, engenheiro e professor -, na verdade quis fazer foi uma mediazinha com o sertanejo, talvez querendo se desculpar por ter ficado do lado mais forte daquela guerra estúpida.
Então, seu doutor, antes de tudo, o sertanejo é o cão de calçolão, é o istopô do Judas, é um fio do cabrunco da moléstia, é o raio da silibrina da gota serena.
E aí, caro leitor, complicou? Não entendeu?
O seguinte é este: aos olhos e ouvidos de quem não conhece as falas, os modos e costumes nordestinos, tais expressões podem soar como os piores desmerecimentos, desqualificações e xingamentos, quando, na verdade, são os mais puros, sinceros e naturais elogios dados e recebidos em nossas plagas nordestinas.
Simplifiquemos num só exemplo, numa só expressão: “O cão chupando manga”. Essa frase, no seu sentido original, expressa um baita elogio. É como se dissesse “Fulano é o diabo fazendo isso”.
- Ariano Suassuna é um escritor maravilhoso, não é?
- Afff Maria, é o cão chupando manga!
Depois que saiu das fronteiras da região e passou a ser usada a grosso modo por falantes ou escribas não nordestinos e, portanto, não contextualizados, essa expressão acabou, às vezes, ganhando outra conotação, contrária ao sentido original. De elogio rasgado passou a ter um tom jocoso, negativo.
Às vezes, o não-nordestino é levado a achar que esse cão que “chupa manga” é o cachorro (canis familiaris). Então, como a cena de um cão chupar manga é um tanto quanto insólita e esquisita, a expressão “o cão chupando manga” acabou sendo usada (fora do Nordeste) para se referir a algo ou alguém esquisito, estranho, feio, bizarro, pavoroso.
Na origem da expressão, porém, esse cão que chupa manga não é um cachorro. Esse cão que chupa manga é o demo, o tinhoso, satanás, belzebu, o diabo. É que nordestino chama cão de cachorro. E chama o diabo de cão. Ou seja, cão é eufemismo para não dizer o nome do tinhoso.
Na fala coloquial, nós nordestinos não costumamos elogiar nada nem ninguém de forma direta, aberta, objetiva, certinha. Que nada! Nós elogiamos é de forma indireta, subjetiva, informal, escrachada, esculhambada, xingada – e tome-lhe nome de doença, praga, palavrões.
Em Salvador, é um baita elogio o cara ser chamado de putão, miseravão – é aquele que se dá bem, principalmente com as mulheres. Em Sergipe, “fio do cabrunco” é o cara que é bom em tudo. É por aí…
Quando se diz que a cantora Claudinha Leitte “é bonita cumaporra” se quer dizer que ela é linda demais. Quando se diz que “Ivete é o cão para cantar”, se quer dizer que ela é o diabo para cantar, canta muito bem. “Ela no palco é o cão”, ou seja, ela no palco é o diabo.
Uma piada que se conta na Bahia é que, certa vez, um sergipano foi conhecer a Igreja do Bonfim, levado por um baiano. Quando lá chegaram, ainda do lado de fora, o sergipano ficou admirado com aquela obra de arte sacra e falou pro baiano: “Eita igreja bonita da desgraça!”. Aí o baiano emendou: “Quer ver o cão, entre”.
A expressão “o cão chupando manga” é absoluta e nordestinamente igual a “o cão de calçolão” (a vogal “o” tem som aberto = calçólão). Lembrando que, no Nordeste, calçola é o que os nossos compatriotas do Centro-Sul chamam de calcinha.
Então, que me perdoe o doutor Euclides da Cunha, esteja ele onde estiver, mas o sertanejo não é, antes de tudo, um forte. O sertanejo, aqui amplificado para o nordestino, é antes de tudo e depois de tudo o cão de calçolão. Ou o cão chupando manga.
FONTE: MarceloTorres, jornalista ,baiano,mora em Brasília – marcelocronista@gmail.com ehttp://marcelotorres.zip.net/