Paixão de Cristo encenada na Paraíba


Esta é uma história verídica! Aconteceu numa cidadezinha lá nos confins da Paraíba. 
O dono do circo, em passagem pela cidade, sabendo quão religiosa era sua comunidade, resolveu encenar a Paixão de Cristo, na Sexta-Feira Santa. O elenco foi escolhido dentre os moradores locais e, no papel principal - de Jesus Cristo – colocaram o cara mais 'gato' da cidade.

Os ensaios iam de vento em popa quando, às vésperas do evento, o dono do circo soube que 'Jesus' estava de caso com sua mulher. Furioso, o corno deu-se conta que não podia fazer escândalo pois iria por a perder todo o trabalho e o investimento que fizera pra montar a peça.
Pensou, pensou...
Na véspera do espetáculo, comunicou ao elenco que iria participar fazendo o papel do centurião!!!
- Mas como? - reclamaram todos - Você não ensaiou!
- Não é preciso ensaiar, porque centurião não fala!
Mesmo sem gostar, o elenco teve que aceitar; afinal, o cara era o dono do show.
Chegou o grande dia. A cidade em peso compareceu. No momento mais solene, a platéia chorosa em profundo silêncio... Jesus carregando a cruz... e o 'centurião' começa a dar-lhe chicotadas. De verdade.
- Oxente, cabra, tá machucando! - Reclamou 'Jesus', em voz baixa .
- É pra dar mais veracidade à cena, devolveu o 'centurião'.
E tome mais chicotada... lept, lept, o chicote comendo solto no lombo do infeliz.. Até que 'Jesus' que já reclamara bastante, enfureceu-se de vez, largou a cruz no chão, puxou uma peixeira e partiu pra cima do 'centurião ' :
- 'Vem, desgraçado! Vem cá que eu vou te ensinar a não bater num indefeso'!
O 'centurião' correndo, 'Jesus' com a peixeira correndo atrás, e a platéia em delírio gritando:
- 'É isso aí! Fura ele, 'Jesus'! Fura, que aqui é a Paraíba, não é Jerusalém não'!
Enviado por Leonardo Arruda 

MILAGRE EM BRASILIA, FILHO DE MILITAR É EXEMPLO



Essa matéria merece uma atenção especial....

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi,proporcionalmente, o mais bem votado do país com 266.465 votos, 18,95%
dos  votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa. Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem(14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável  (nem se ele quiser poderá voltar atrás).

Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado cotão. Os R$ 23.030,00 que teria direito por mês, reduziu para R$ 4.600,00. Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável.

Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 MILHõES
(isso mesmo R$ 2.300.000,000) nos quatro anos de mandato. Se os outros
512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos
seria superior a R$ 1,2 BILHÃO.

A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar
pode ser de qualidade custando bem menos para o  contribuinte do que
custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores, (afirmou Reguffe em discurso no plenário).

Todos deveriam seguir esse exemplo.
Repasse... faça a sua parte, pois a dignidade deste Sr. José Antonio
Reguffe é respeitável e louvável.
Mais informações na ISTO É:


O deputado Reguffe é filho de um OFICIAL DE MARINHA, já falecido. Vale
a pena dar a maior divulgação, para mostrar que ainda há esperança.

AMA DE LEITE


Venderam o meu sonho
Venderam o amor 
Venderam meu sorriso
Venderam minha dor 
Vendido em leilão
Moendo em moinho
Plantei meu suor 
Reguei com o meu sangue
Meu sonho maior 

Meu corpo bonito
Minha bela cor 
O filho no ventre
Pertencem ao senhor 

Filho nos braços
Foste arrancado
Vendido em leilão
Praças e mercados

Gritos e gemidos
Lágrimas roladas ao chão
Leite esbanjado
Serve ao filho patrão

Dança, minha negra, dança
Ao som dos tambores
Grita, minha negra, grita
Grita teus clamores

Canta, minha negra, canta,
Que alguém há de te escutar 
Dança, minha negra, dança
Que a liberdade viráVenderam o meu sonho
Venderam o amor
Venderam meu sorriso
Venderam minha dor
Vendido em leilão
Moendo em moinho
Plantei meu suor
Reguei com o meu sangue
Meu sonho maior

Meu corpo bonito
Minha bela cor
O filho no ventre
Pertencem ao senhor

Filho nos braços
Foste arrancado
Vendido em leilão
Praças e mercados

Gritos e gemidos
Lágrimas roladas ao chão
Leite esbanjado
Serve ao filho patrão

Dança, minha negra, dança
Ao som dos tambores
Grita, minha negra, grita
Grita teus clamores

Canta, minha negra, canta,
Que alguém há de te escutar
Dança, minha negra, dança
Que a liberdade virá

DIREITOS SUBTRAÍDOS PELO PODER PÚBLICO


A escritora Iara Maria Carvalho enviou ao Blog o seguinte comentário:
Dizem por aí que a CULTURA será vinculada à Secretaria de Turismo aqui em Currais Novos. Vincular a cultura à secretaria de turismo nada mais seria que a legitimação do que já é real aqui na nossa cidade, por parte do poder público: a valorização, tão-somente, da cultura de eventos. Vincular uma área tão vasta e complexa como a cultura à área de turismo é, com certeza, privar a população de oportunidades de crescimento individual e coletivo, de ampliação de horizontes, de conquista de novos valores.
A cultura de eventos, tão costumeira em nossa região, que somente se destina a promover e-ventos (com ações provisórias que não deixam frutos, pois que levadas facilmente com os “ventos”), tolhe a inteligência das pessoas e serve, muitas vezes, para proliferar práticas destrutivas no nosso cotidiano (a prostituição e as drogas são o exemplo mais comum). Devemos aplaudir à atitude da nova gestão de Cerro Corá, que está consoante às práticas que vêm sendo perpetuadas em todo o Brasil, através de mudanças tão significativas que o Governo Federal, ao longo dos últimos 10 anos têm feito.
Prova disso são os frutos deixados aqui em Currais Novos, por meio de ações da sociedade civil, como o Ponto de Cultura da Associação que funciona na Casa de Cultura e o Ponto de Leitura que funciona no Casarão de Poesia. É preciso fomentar ações continuadas, que priorizem à sensibilização de crianças, jovens, adultos e idosos, à formação de agentes culturais e de novos artistas, à desalienação quanto aos destinos de nossa sociedade… Não podemos ir na contramão do cenário nacional.
O escritor e professor de música Wescley Gama também comentou:
O Orçamento Municipal de Currais Novos para 2012 previa mais de UM MILHÃO de reais para a rubrica “CULTURA”. Como esse dinheiro foi gasto eu não sei. Só sei que para todas as Associações, juntas, receberem R$ 147.000,00 o recurso teve que ser BLOQUEADO pela justiça. Acredito que boa parte do recurso destinado à sigla CULTURA deveria ser usado para OCUPAR o tempo dos jovens (não só deles, claro).
Pois é mais importante para a sociedade um adolescente ficar o ano inteiro fazendo um curso de teatro, música ou pintura, ou ir uma noite apenas assistir uma banda caríssima no meio da rua, falando palavrões e incentivando o uso de drogas? Para mim parece óbvio…
Para que se possa melhor gerenciar o Fundo Municipal de Cultura, é importante ter uma secretaria própria. É preciso haver iniciativas que contemplem toda a diversidade cultural da nossa região.
É preciso dar aos nossos jovens a oportunidade de participarem de oficinas, cursos de todas as áreas da arte. É importante possibilitar a fruição artística como sensibilização das pessoas. Apoio a criação de uma Secretaria de Cultura em Currais Novos, formada por uma equipe QUE ENTENDA DO ASSUNTO!

Cultura Viva: Essa ciranda é de todos nós!


A Câmara dos Deputados tem registrado importantes conquistas para a cultura brasileira. Após a aprovação da PEC da Música e do Sistema Nacional de Cultura, recentemente foi aprovado o projeto que cria o Vale-Cultura, democratizando o acesso a produtos e serviços culturais para trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos. O próximo passo foi dado com aprovação na Comissão de Finanças da Câmara do programa Cultura Viva


O programa, cuja ação estruturante são os Pontos de Cultura, é uma política que começou a ser desenvolvida no governo Lula. Em oito anos, mobilizou cerca de cinco mil iniciativas, envolvendo também aproximadamente oito milhões de pessoas em sua ações, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Desta forma, o Cultura Viva é um exemplo de política cultural para o mundo, que já inspira diversas cidades e países da América Latina, além da articulação de uma rede latino-americana denominada Plataforma Puente Cultura Viva Comunitária.
De forma simples, a lei cria mecanismos permanentes para uma política cultural baseada no reconhecimento às manifestações, linguagens e formas de expressão espalhadas pelo País. E vincula o programa Cultura Viva ao Sistema Nacional de Cultura, repassando recursos para estados e municípios, simplificando o processo de financiamento, além da prestação de contas. A aprovação definitiva da lei será o resultado de uma unidade que vem se construindo entre movimentos sociais da cultura, o executivo o legislativo em âmbito nacional. Uma vitória da cultura Brasileira. Vamos juntos aprovar a Lei Cultura Viva, pois como canta a cirandeira Lia de Itamaracá: “Essa ciranda não é minha só, ela é de todos nós”.

Feghali: É com políticas de Estado que fomentaremos a Cultura- *Deputada Federal pelo PCdoB do Rio de Janeiro e coordenadora da Frente Parlamentar Mista em defesa da Cultura

Jandira: 2013 será ano estratégico para Lei Cultura Viva



O ano de 2013 certamente será um período de intenso protagonismo dos novos mecanismos de fortalecimento da cultura brasileira. Após a sanção do vale cultura, cartão que fomenta o consumo de cultura por trabalhadores que ganham até 5 salários mínimos, no fim do ano passado, será a vez do Projeto de Lei (PL) 757/2011, a conhecida Lei Cultura Viva. 


O PL, de autoria da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), tem a missão de institucionalizar como política de estado o programa já em vigor do Ministério da Cultura, de mesmo nome.

A função da Lei Cultura Viva é facilitar a manutenção dos mais de 3 mil Pontos de Cultura no País – com a participação de mais de oito milhões de brasileiros –, que mantêm, de forma única, importantes manifestações culturais, populares e regionais, seja através do teatro, da tradição oral, da música ou dos festejos. A verba destinada para a manutenção destas entidades não teria o intermédio de organizações não governamentais ou terceiros. Com a futura lei em vigor, será a certeza de que os traços culturais típicos do Brasil não vão se desfazer com as mudanças de gestão ou passar do tempo.
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Este novo relacionamento entre o governo e as entidades comunitárias avançou mais em dezembro de 2012. Após sua tramitação pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara, foi a vez da Comissão de Finanças e Tributação aprovar por unanimidade o projeto. E este ano, será a vez da Comissão de Constituição e Justiça apreciar o projeto, ajudando em seu estratégico avanço dentro do Parlamento.
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Para Jandira, esta política é inovadora: “Ela inova e se torna emancipatória, permitindo ao estado garantir o reconhecimento e a valorização da criatividade popular. E como diz a canção de Lia de Itamaracá, ‘Essa Ciranda não é minha, ela é de todos nós’. Parabenizo a todos os fazedores de cultura do Brasil por esta importante conquista e vamos juntos na luta por sua aprovação”, defende.

Fonte: Portal SigaJandira

LEI CULTURA VIVA


Por Célio Turino*


A lei CULTURA VIVA, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), já foi aprovada por unanimidade na comissão de educação e cultura da Câmara. 
Leia também:
Célio Turino: Cultura Viva na América Latina
Para quem não está familiarizado com os trâmites legislativos, ainda há um longo caminho (após a aprovação na comissão de finanças e tributação ela irá à comissão de constituição e justiça, em seguida ao senado e retorno para aprovação final pelos deputados), mas este passo é estratégico, sobretudo pelo conteúdo que irá incorporar à lei, criando um novo e simplificado marco no relacionamento entre governo e entidades comunitárias.
Como principal contribuição nesta etapa, a lei vai criar o Cadastro Nacional de Pontos de Cultura (a exemplo do currículo Lattes, do CNPQ, ou de cadastro de entidades assistenciais), simplificando processos de contrato entre entidades culturais e governo, além de abrir caminho para repasse de recursos e prestação de contas mais adequados à dinâmica destas entidades e comunidades. No lugar de convênios burocráticos, contratos e prestação de contas por resultados. Pode parecer pouco, mas não é.

Em meu livro, PONTO DE CULTURA – o Brasil de baixo para cima, já apontava sobre a necessidade desta mudança de paradigmas nos contratos entre Estado e Sociedade: “A tradição da burocracia brasileira é formalista. Muito controle nos meandros e nas insignificâncias e pouca atenção nos resultados. Para que ganhe maior eficiência é necessário mudar o foco do acompanhamento por procedimentos para o acompanhamento por resultados. Ao invés de convênios com suas exigências intermináveis, contratos e prêmios. Em paralelo, outros mecanismos de agilização, como transferência direta para entes federados, “fundo a fundo” (que será possível quando da implantação do Sistema Nacional de Cultura) e premiação por desempenho, com o compromisso de serem reaplicados na iniciativa”. (pg. 168)
Essa aparente pequena mudança será a consagração de uma nova forma de relacionamento entre Estado e Sociedade, via entidades comunitárias, inaugurada com os Pontos de Cultura. Até então o modelo tinha e tem sido o de grandes convênios com grandes ONGs repassadoras de serviços (seja em serviços de saúde, programas de esporte comunitário, educação, reforma agrária ou quaisquer outras áreas), que mais funcionavam e funcionam como prestadoras de serviços. O caminho adotado desde o início dos Pontos de Cultura foi no sentido inverso, estabelecendo uma relação direta com entidades comunitárias de pequeno porte (a maioria firmando convênios pela primeira vez), com a transferência de pequenos valores (R$ 60 mil/ano, o que representa R$ 5 mil/mês). Até 2009, em relação direta do Ministério da Cultura com as entidades, chegamos a 800 convênios e via redes com governos estaduais e municipais, a mais 2.500 entidades culturais, beneficiando mais de 8 milhões de pessoas em 1.100 municípios do país (dados do IPEA). Lembro-me do primeiro convenio de Ponto de Cultura que assinei, em novembro de 2004, com uma associação de jovens no município de Arcoverde, no agreste pernambucano. Assim chegamos a grupos de Hip Hop, Cultura Tradicional, favelas, coletivos de teatro ou dança, bibliotecas comunitárias, aldeias indígenas... Há um convênio assinado diretamente com o cacique Aritana, dos Yawalapíti, no Parque Nacional do Xingu e até trato disso em outro capítulo de meu livro:
“Tem memória os índios do Brasil e eles sabem o que acontece quando transferem para outros o destino de seus povos. Mesmo que num primeiro momento o preenchimento de planilhas e documentações pareça difícil para um índio que mora no Xingu, melhor falarem por si mesmos, sem intermediação; a ajuda externa, quando honesta e desinteressada, é bem vinda, mas sempre a última palavra é deles. O que eles precisam fazer, fazem por si mesmos e com isso conquistam autonomia.” (pg. 28)
Todavia, não foi uma opção fácil. O convenio com o IPEAX (Instituto de Pesquisa Etno Ambiental do Xingu), presidido pelo cacique Aritana, com sede na aldeia Yawalapíti, no Parque Nacional do Xingu e sub-sede no município de Canarana, MT, a dois dias de barco da aldeia, levou um ano e meio para ser assinado. Tantos foram os conselhos que recebi para fazer o convênio com uma ONG mais estruturada, que assim repassaria o recurso para eles. Mas Aritana não quis, nem eu.
Quebrar a intermediação e estabelecer uma relação direta entre Estado e Sociedade foi uma decisão em três níveis:

a) Filosófica/ideológica – ao fortalecer e empoderar grupos culturais historicamente alijados, abrindo caminho para um Estado de novo tipo, ao mesmo tempo leve e ampliado e moldado à feição de seu povo; 

b) Política – ao exercitar novos padrões de relacionamento entre aparato burocrático de governo, colocando um degrau a mais nos processos de orçamento participativo, e em escala nacional, em que as pessoas são chamadas a dizer não somente “o que querem” (ou necessitam), mas “como querem”, e assim recebem meios para essa execução direta;

c) Técnica e de gestão – ao acumular um conjunto de êxitos na implantação de um programa de governo, permitindo que o recurso, efetivamente, chegasse à ponta, multiplicando em muito a capacidade de realização de suas ações.

Essa decisão foi muito criticada à época (e até hoje, suponho), pois seria mais fácil concentrar os Pontos de Cultura em poucos mega-convênios, com poucas mega-entidades. Mas se assim fizéssemos o que estaríamos mudando na relação entre Estado e Sociedade? Poderíamos estar oferecendo um serviço mais ágil, talvez, mas mesmo quanto a isto tenho dúvidas, até em relação à prestação de contas e possibilidades de desvios, afinal, quanto maior o montante, maior a tentação. E, para além dos avanços de caráter filosófico/teórico e político, houve avanços em termos de gestão administrativa. No início, a única alternativa apresentada pela gestão interna e departamento jurídico do ministério foi o mecanismo de convênios, era fazer assim ou não fazer. Fizemos. Mas logo no ano seguinte tomamos a medida de alterar a prestação de contas de semestral para anual, reduzindo os processos burocráticos em 50%. A partir de 2007, com o Mais Cultura, houve a descentralização dos convênios, via estados e municípios, agilizando ainda mais os processos de acompanhamento administrativo, além de colocar-los mais próximos aos Pontos de Cultura. Em paralelo também foi equacionado outro problema bastante relevante: o impedimento da utilização de despesas administrativas, mesmo quando contrapartida das entidades, na prestação de contas do convênio; essa era uma decisão que dependia do Ministério do Planejamento, através de Instrução Normativa (IN) e com a mudança foi possível estender a decisão para aplicação retroativa a todos os convênios dos Pontos de Cultura, permitindo que 15% de despesas totais do convênio pudessem ser utilizadas na manutenção e despesas administrativas dos Pontos de Cultura. E, para além destas medidas, houve a aplicação de Prêmios, via ações do programa (Pontinhos de Cultura, Economia Viva, Griô, Interações Estéticas, Escola Viva, Cultura e Saúde, entre outras), dispensando prestação de contas burocráticas e liberando as entidades para uma ação direta em sua atividade fim, com excelentes resultados. Ao final de 2009, após um ano e meio de negociação entre o governo do estado de São Paulo e Ministério da Cultura, também chegamos a um novo formato para a rede de Pontos de Cultura, agora via prêmio. Essa medida, sem dúvida, teria um grande efeito na descomplicação burocrática do programa, todavia, com a mudança de governo, não foi estendida como modelo às demais redes (via aplicação retroativa, como no caso da alteração da Instrução Normativa sobre convênios, admitindo despesas administrativas), ou mesmo a eventuais novas redes.

Por isso a aprovação da lei Cultura Viva torna-se ainda mais necessária. Assim, será possível garantir uma norma clara e precisa. A lei Cultura Viva representará um marco no caminho do Estado-Rede, tal qual propõe Manuel Castells, e do Estado Ampliado e Educador, segundo pensamento de Antonio Gramsci. Apontei isso em meu livro, ao propor a combinação de princípios administrativos como: “...flexibilidade; transparência administrativa; descentralização compartilhada de gestão; coordenação de regras democraticamente estabelecidas; participação do cidadão, sobretudo os excluídos; modernização tecnológica; valorização dos servidores e retroalimentação da gestão com mecanismos de avaliação que permitam a aprendizagem e correção de erros” (pg.137). Este é o sentido da lei e talvez sua contribuição principal, para além, até mesmo, da garantia do programa Cultura Viva. Claro que a garantia do programa é fundamental, mas a contribuição da lei Cultura Viva pode ir além, servindo de paradigma para outras formas de relacionamento e controle social entre Estado e entidades da sociedade, as ONGs. A respeito das ONGs, gostaria de abrir um parêntesis para uma observação: o caminho da pulverização em pequenos contratos, tal como praticado com os Pontos de Cultura demonstra-se muito mais eficiente e refratário a desvios que o da concentração.
Foi o que fizemos. E será o que faremos ainda mais com a aprovação da lei Cultura Viva. Empoderando gente criativa e generosa que há tanto tempo faz tanta coisa boa e bela por sua gente, e sem receber o menor reconhecimento e apoio governamental. Com o Ponto de Cultura os anônimos ganharam rosto e protagonismo. E vão além!
Este é o efeito da lei CULTURA VIVA. Mais que a consolidação de um programa, ela representa uma nova forma de os governos se relacionarem com a sociedade. Uma sociedade que há muito tempo já faz, seja em cultura ou outros campos da vida em comunidade, e que agora quer ser reconhecida em seu protagonismo e em suas formas de autogoverno.
Por isso agradeço, por isso parabenizo e por isso peço apoio à lei CULTURA VIVA e ao relatório ora em votação.

*Célio Turino é historiador, escritor e gestor de políticas públicas. Foi idealizador e gestor do programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura. Foi secretário de Cultura e Turismo em Campinas/SP (1990/92), diretor de Esporte e Lazer em São Paulo/SP (2001/2004) e secretário da Cidadania Cultural no Ministério da Cultura (2004/2010).

Fonte: Revista Fórum